terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

II SIMPÓSIO DE HISTÓRIA DO MARANHÃO OITOCENTISTA: DISPUTAS POLÍTICAS E PRÁTICAS DE PODER

07 a 10/06/2011 - Universidade Estadual do Maranhão

O II Simpósio de História do Maranhão Oitocentista é uma realização do Diretório do Grupo de Pesquisa Núcleo de Estudos sobre o Maranhão Oitocentista (NEMO), certificado pela UEMA junto ao CNPq desde o início de 2010, mas que vem reunindo esforços desde 2009, ano em que organizamos o I Simpósio e lançamos a coletânea O Maranhão oitocentista (Editora da UEMA / Ética).

O Núcleo reúne professores do Departamento de História e Geografia da Universidade Estadual do Maranhão, seus orientandos de iniciação científica, graduação e pós-graduação, bem como egressos do curso de História que realizam ou realizaram mestrado e doutorado em diferentes universidades brasileiras. O Núcleo também mantém parcerias com professores do Departamento de História da Universidade Federal do Maranhão e com grupos de pesquisas sediados em outras instituições, como o Núcleo de Pesquisas sobre Estado e Poder no Brasil (NUPEP), vinculado a Universidade Federal Fluminense. Ambas as instituições, UFMA e UFF, foram de suma importância para a realização do primeiro Simpósio.

Para a segunda edição do evento, pretendemos ampliar essas articulações, especialmente a partir de pesquisadores que têm o Norte-Nordeste oitocentista como objeto de estudo, razão para o convite a pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal do Piauí e Universidade Federal de Pernambuco, além de pesquisadores de instituições do Sudeste/Centro-Oeste cujo objeto de estudo se situa de alguma forma na articulação entre os territórios que viabilizaram o Estado imperial.

Informações retiradas do site: http://www.outrostempos.uema.br/oitocentista.php

Publicação de novo número dos Cadernos de História da Educação (v.9, n.2 - Jul.-Dez. - 2010)


Está disponível a versão eletrônica dos Cadernos de História da Educação (Volume 9, Numero 2, Jul.-Dez 2010), composto pelos artigos e resenhas apresentados no sumário abaixo. O acesso aos textos integrais pode ser realizado por meio do seguinte endereço na Internet: http://www.seer.ufu.br/index.php/che/.

SUMÁRIO

ARTIGOS

OS ESPÍRITAS E ANÁLIA FRANCO: PRÁTICAS DE ASSISTÊNCIA E ESCOLARIZAÇÃO DA INFÂNCIA NO INÍCIO DO SÉCULO XX
Alexandre Ramos de Azevedo

OS MANUAIS ESCOLARES DE MATEMÁTICA NOS LICEUS PORTUGUESES (1947-1974)
Anabela Teixeira

A REDE CULTURAL DA ESCOLA DE DECROLY EM BRUXELAS: A TEORIA DA ORGANIZAÇÃO E A FUNÇÃO DE GUARDIÃO DA HISTÓRIA
Angelo Van Gorp, Frank Simon e Marc Depaepe

AS PRIMEIRAS ESCOLAS DE ENFERMAGEM E O DESENVOLVIMENTO DESTA PROFISSÃO NO BRASIL
Beatriz Lemos Stutz

EDUCAÇÃO E DOMÍNIO: ESCOLA COMO ILUSÃO DE INCLUSÃO SOCIAL DO “NEGRO” NO BRASIL DA DÉCADA DE 1930
Betânia O. Laterza Ribeiro e Elizabeth Farias da Silva


GINÁSIO ESTADUAL DE TANGARÁ DA SERRA: TEMPO E ESPAÇO NA OCUPAÇÃO RECENTE DE MATO GROSSO (1968 – 1976)

Carlos Edinei de Oliveira



OS JESUÍTAS E A EDUCAÇÃO NO PROGRAMA DA REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO BRASILEIRO (1839)

Cézar de Alencar Arnaut de Toledo e Juscelino Pereira Neto


AS DISPUTAS FUTEBOLÍSTICAS ESTUDANTIS: PRÁTICAS CULTURAIS QUE MARCARAM O CONTEXTO ESCOLAR E URBANO PELOTENSE ENTRE AS DÉCADAS DE 1930 A 1960.
Giana Lange do Amaral

D. JOÃO NERY E OS ÍNDIOS BOTOCUDOS: FRAGMENTOS DE UMA CARTILHA NO INÍCIO DO SÉCULO XX.
Marcus Levy Bencostta

“AVENTURAS NO MUNDO DA HIGIENE” – ECOS DO DISCURSO MÉDICO NO TEXTO DE ERICO VERISSIMO
Marília Mezzomo Rodrigues


PIAGET E AS IDÉIAS MODERNAS SOBRE EDUCAÇÃO: UM ESTUDO DOS ESCRITOS EDUCACIONAIS DE JEAN PIAGET PUBLICADOS ENTRE OS ANOS DE 1920 A 1940
Marisa Lomônaco de Paula Naves


A HISTÓRIA SOCIAL DA CULTURA E A HISTÓRIA CULTURAL DO SOCIAL: APROXIMAÇÕES E POSSIBILIDADES NA PESQUISA HISTÓRICA EM EDUCAÇÃO
Ribamar Nogueira da Silva

A INSTRUMENTALIDADE CULTURAL DA DIDÁTICA JESUÍTICA: UMA ANÁLISE DO RATIO STUDIORUM
Roberto Valdés Puentes

HISTÓRIA DO GRUPO ESCOLAR CORONEL CARNEIRO, UBERLÂNDIA-MG (1946 – 1971)
Sandra Cristina Fagundes de Lima


O UNIVERSO ESCOLAR NAS PÁGINAS DA IMPRENSA TIJUCANA (ITUIUTABA-MG - ANOS DE 1950 E 1960)

Sauloéber Társio de Souza



A “MODERNIDADE” EM UBERLÂNDIA E O ENSINO RURAL

Tânia Cristina da Silveira



RESENHAS



FORMAS, SUJEITOS E FORÇAS EDUCATIVAS:DESAFIOS PARA A HISTÓRIA E PARA A EDUCAÇÃO (DO IMPÉRIO E DA ATUALIDADE)

GONDRA, José Gonçalves; SCHUELER, Alessandra Frota Martinez de. Educação, poder e sociedade no Império brasileiro. São Paulo: Cortez, 2008.

Antoniette Camargo de Oliveira e Wenceslau Gonçalves Neto


UMA SÍNTESE HISTÓRICA SOBRE O DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO PEDAGÓGICO
COSTA RICO, Anton. A construción do coñocemento pedagóxico: antecedentes e desenvolvementos no século XX. Universidade de Santiago de Compostela: Servizo de Publicacións e Intercambio Científico, Colección: Informes e Propostas, n. 26, Instituto de Ciências da Educación (ICE), 2009, 149 p.
Rosângela M. Castro Guimarães

SEMINÁRIO A RESPONSABILIDADE ÉTICO-SOCIAL DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS E A EDUCAÇÃO DA POPULAÇÃO NEGRA.

Colóquio de História & Arte. UFRPE: CHAMADA DE TRABALHOS / CALL FOR PAPERS


CHAMADA DE TRABALHOS / CALL FOR PAPERS

UFRPE - Campus Dois Irmãos - Recife - 10 a 13 de maio de 2011
Apresentação

O Grupo de Estudo em História da Arte da Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE, juntamente com o Departamento de História da UFRPE, se propõem a realizar o Colóquio de História & Arte, que acontecerá na própria universidade, situada na cidade de Recife, capital de Pernambuco, entre os dias 10 e 13 de maio de 2011, contando com estrutura e material humano necessários para a realização de um evento deste porte.
A forma como o encontro será realizado contemplará as discussões através dos Mini-cursos, Oficinas, Mesas Redondas, mostra de vídeos, exposições artísticas, evento cultural e Conferências, tendo como eixo principal o tema proposto para o evento: “História e Arte: encontros”.
Este colóquio visa descobrir o potencial artístico enquanto produção acadêmica relativo ao tema, como também as produções práticas envolvidas no evento.
O Colóquio de História & Arte será realizado com participação de estudantes, profissionais e comunidade em geral, buscando uma maior interação e discussões pertinentes entre os alunos da UFRPE/DOIS IRMÃOS, UFRPE/UAG e UFRPE/UAST e os diversos seguimentos históricos e artísticos de outras IES e produções de forma geral.

TEMA: “História e Arte: encontros”
O tema do Colóquio de História & Arte – Edição 2011 vem discutir sobre paradigmas historiográficos existentes e seu viés na vida do estudante e/ou profissional de história e outros seguimentos.
A cidade de Recife lado a lado com a história e a arte desde os tempos do Brasil holandês, campo amplo para as diversas discussões e que ainda não se tem uma reflexão própria sobre a produção cultural, por exemplo, dentro da academia. Dessa forma, o tema proposto assim de maneira aberta propõe conhecer um pouco mais da história por meio do seguimento da arte, fortalecendo dessa maneira a constituição do historiador.



ATENÇÃO AOS PRAZOS:

· INSCRIÇÃO APRESENTAÇÃO DE TRABALHO SIMPÓSIOS (ORAL): 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011 (VIA BANCO).

· RESULTADO DOS TRABALHOS SELECIONADOS PARA SIMPÓSIOS: 10 de abril de 2011

· DATA LIMITE PARA ENVIO DE TEXTO COMPLETO: 20 de abril de 2011

· INSCRIÇÃO PARA OUVINTES: 10 de Janeiro de 2011 a 29 de abril de 2011 (VIA BANCO)

· INSCRIÇÃO PRESENCIAL (CEGOE/UFRPE): De 05 a 09 de maio de 2011

· INSCRIÇÃO PRESENCIAL (UFPE / UNICAP / FUNESO / AESO-BARROS MELO): De 02 a 06 maio de 2011

· INSCRIÇÃO DE VÍDEOS PARA MOSTRA DE CURTA: 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011

· RESULTADO DOS SELECIONADOS PARA MOSTRA DE CURTA: 20 de abril de 2011

· INSCRIÇÃO PARA MOSTRA DE ARTES: 10 de Janeiro de 2011 a 01 de abril de 2011·

· RESULTADO DOS SELECIONADOS PARA MOSTRA DE ARTES: 20 de abril de 2011


Inscrições e informações: http://coloquiodehistoriaearte.blogspot.com/p/apresentacao_23.html

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS

SIMPÓSIO 1: ARTE, CULTURA E IDENTIDADES: EXPRESSÕES, PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES

Prof. Augusto Neves Silva - PPGH / UFPE (Augustonev@Gmail.Com)
Profa. Déborah G. Callender - PPGH / UFPE
Profa. Rosely Tavares de Souza - PPGH / UFPE

SIMPÓSIO 2: CIDADE COLONIAL: BARROCA OU MEDIEVAL?

Prof. Dr. Maurício Rocha de Carvalho - UFPE (mau2004@uol.com.br)
Professores convidados: Prof. Dr. Tomás de Albuquerque Lapa e Prof. Dr. Ney Brito Dantas
Prof. Dr. da área de Teoria e História da Arquitetura do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFPE, Arquiteto e Urbanista e Licenciado em Artes Plásticas pela UFPE, Especialista em História pela UNICAP e em Arte e Cultura Barroca pela UFOP, Mestre em História pela UFPE, Doutor em Teoria e História da Arquitetura pela Universitat Polytècnica de Catalunya – BCN – Espanha.


SIMPÓSIO 3: ARTE BARROCA NO MUNDO IBÉRICO COLONIAL: OLHARES MÚLTIPLOS (SÉCULOS XVI A XVIII)

Profª Dra. Carla Mary S. Oliveira (PPGH-UFPB) (cms-oliveira@uol.com.br / carlamary_oliveira@hotmail.com)
Prof. Dr. Magno Moraes Mello (PPGH-UFMG) (magnomello@gmail.com / magno@fafich.ufmg.br)


SIMPÓSIO 4: MEMÓRIA E HISTÓRIA DAS ARTES VISUAIS DO SÉCULO XX

Natália Barros - Professora do Colégio de Aplicação – UFPE/ doutoranda do PPGH-UFPE (natibarros1@yahoo.com.br)

SIMPÓSIO 5: DIÁLOGOS ENTRE HISTÓRIA, ARTE E CIDADE

Raquel Czarneski Borges – Mestranda em História – UFPE (raquel_borges321@yahoo.com.br)
Thiago Nunes Soares – Mestrando em História – UFPE (thiagonsoares@hotmail.com)


SIMPÓSIO 6: MEMÓRIA, LITERATURA E IMAGENS: POSSIBILIDADES, INTERFACES E DESAFIOS PARA O CONHECIMENTO HISTÓRICO

Germana Guimarães Gomes - UFPB - Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba. (ggermanag@hotmail.com)
Fabiolla Stella Maris de Lemos Furtado Leite - UFPB - Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Paraíba (fabilemos_ita@yahoo.com.br)


SIMPÓSIO 7: ARTE, CULTURA, POLÍTICA E ANCESTRALIDADES NEGRAS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA

Gustavo Manoel Da Silva Gomes - UFRPE (prof.gustavogomes@hotmail.com)
Mestrando em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Professor Substituto do Departamento de Educação da UFRPE. Cursa a Especialização em História e Cultura Afro-Brasileira na Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP). É integrante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UFRPE); Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre História da Educação e Ensino de História em Pernambuco (NEPEPHE), do Núcleo Interdisciplinar de Estudos da Linguagem (NIEL) e do Grupo de Estudos sobre Ensino e Saberes Históricos (GRESH).

Jacilene Dos Santos Clemente - UFPE (jacileneclemente@hotmail.com)
Mestranda em Educação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). É integrante do Grupo de Estudos sobre Ensino e Saberes Históricos (GRESH).


SIMPÓSIO 8: CARNAVAL: ENCONTRO DAS ARTES

Lucas Victor – FIR / FAINTVISA / UFPE (lucasvictor@uol.com.br) - (FIR - Faculdade Integrada do Recife / FAINTVISA - Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão), Doutor em História (UFPE)
Júlio Vila Nova - UFRPE (juliovilanova@ig.com.br) - Mestre, Doutorando em Letras (UFPE)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Google Art Projcet

Eu sou um fã confesso dos produtos do Google. Utilizo a maioria e fico irritado quando alguém me passa um e-mail e vem com algo que não seja gmail pois acho todos os outros muito ruins, já usei bol (credo esse é jurássico) yahoo, hotmail, esse último pra mim é trashmail, muito ruim, só o mantenho devido ao MSN. Mas o que melhor me adaptei pela facilidade e diversidade de funções, pelo seu visual espartano foi o gmail. O Google sempre tem algo novo e que tem utilidade ele sim é a maior invenção dos últimos anos não o Facebook, o que tem de novo numa rede social? Quanto tempo até surgir outra rede social mais bonitinha e todos migrarem prá lá? Bem mas não é sobre isso que quero falar mas sobre uma novidade muito legal do Google. Depois do Google Maps, Earth e Street View agora é a vez dos museus. Neste novo serviço recém-lançado o internauta é separado por apenas alguns clicks de Picasso, Monet, Rembrant, Van Gogh entre outros. Pode-se passear livremente pelo prédio, conferir as informações das obras dar zoon etc. É muito fácil de ser utilizado da mesma forma que o Street. São 17 museus, mais o Palácio de Versailhes . Algumas obras não foram incluídas por pedido das instituições. Quem quiser conferir acesse: http://www.googleartproject.com/





domingo, 30 de janeiro de 2011

As revoltas no Norte da Africa.

Concentração de pessoas na Tharir Square na cidade do Cairo. El País.
Quando estava em Portugal sempre falava que ia conhecer a Tunisia no fim de semana mas nunca dava certo na maior parte das vezes porque não arrumava companhia que tivesse coragem de ir comigo. Na realidade todos queriam ir a Paris, Roma, Amsterdam. Ninguem tinha interesse em locais mais exóticos como eu foi o que disse uma amiga. A Tunisia veio a tona estes dias por ter derrubado seu ditador com a força da população nas ruas. Foi um movimento de revolta pelos roubos e excessos de um ditador e sua esposa que tinham largas relações com os EUA. Nas análises que li nos jornais brasileiros que me parecem têm uma preguiça em pensar ou em fazer jornalismo sério já começaram a dizer que é a revolução do FaceBook, do Wikileaks. Para mim isto é ledo engano. Não podemos negar que a Rede faz com que os contatos sejam mais fáceis etc... e tudo o mais que já sabemos sobre o poder da Internet mas a revolução particularmente na Tunisia começou com o suicidio de uma jovem que ateou fogo no corpo devido a que o governo não possibilitava mais seu trabalho. A força dos movimentos que estão começando a ocorrer por ali tem mais a ver com um grande população jovem desempregada e sem um futuro que esta tomando as rédeas para fazer a mudança. Na França guardadas as devidas proporções quase aconteceu o mesmo- apesar de que ali ainda é um caldeirão pronto para explodir. Alguns países como os EUA ou Israel se vêm em momentos difíceis uma vez que seus aliados começam a cair. Vejo hoje o dia todo a CNN transmitindo o dia todo ao vivo direto do Cairo o povo na rua e o seu Faraó sumido. O problema é que apesar do Baradei que oportunamente viajou para o Egito para participar do levante, fazer parte da oposição o resto da mesmo no Egito é de Mulás. Ou seja poderemos ter uma nova nação ao estilo Irã. Problemas para Israel.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

"Sinto-me mais em casa na América Latina", diz Hobsbawm

TRISTRAM HUNT
DO "GUARDIAN", EM LONDRES

Hampstead Heath, em Londres, orgulha-se do seu papel na história do marxismo. Era lá que, aos domingos, Karl Marx subia o Parliament Hill com sua família. Nos dias de semana, Marx se juntava a Friedrich Engels para caminhar pelo parque. A ambição marxista permanece viva na casa de Eric Hobsbawm, numa rua lateral que sai do parque. Na última vez em que o entrevistei, em 2002, ele enfrentava outro ataque da mídia pela ligação com o Partido Comunista.
As coisas mudaram: a crise global transformou os termos da discussão, e a crítica marxista da instabilidade do capitalismo ressurgiu. Parecia não haver momento melhor para Hobsbawm reunir seus ensaios mais famosos sobre Marx em um volume, com material sobre o marxismo visto à luz do crash.


"Guardian" - Há no âmago desse livro um senso de algo que provou seu valor? De que, mesmo que as propostas de Marx possam não mais ser relevantes, ele fez as perguntas certas sobre o capitalismo?
Eric Hobsbawm -
Com certeza. A redescoberta de Marx está acontecendo porque ele previu muito mais sobre o mundo moderno do que qualquer outra pessoa em 1848. É isso, acredito, o que atrai a atenção de vários observadores novos -atenção essa que, paradoxalmente, surge antes entre empresários e comentaristas de negócios, não entre a esquerda.

O sr. tem a impressão de que o que pessoas como George Soros apreciam em parte em Marx é o modo brilhante com que ele descreve a energia e o potencial do capitalismo?
Acho que é o fato de ele ter previsto a globalização que os impressionou. Mas acredito que os mais inteligentes também enxergaram uma teoria que previa o risco de crises. A teoria oficial do período, fim dos anos 90, descartava essa possibilidade.

E o sr. acha que o interesse renovado por Marx também foi beneficiado pelo fim dos Estados marxistas-leninistas?
Com a queda da União Soviética, os capitalistas deixaram de sentir medo, e desse modo tanto eles quanto nós pudemos analisar o problema de maneira muito mais equilibrada. Mas foi mais a instabilidade da economia globalizada neoliberal que, creio, começou a ficar tão evidente no fim do século.

O sr. não está surpreso com o fato de a esquerda marxista e a social-democrata não terem explorado politicamente a crise dos últimos anos?
Sim, é claro. Na realidade, uma das coisas que procuro mostrar no livro é que a crise do marxismo não é só do seu braço revolucionário, mas também do seu ramal social-democrata. O reformismo social-democrático era, essencialmente, a classe trabalhadora pressionando seus Estados-nações. Com a globalização, a capacidade dos Estados de reagir a essa pressão se reduziu concretamente. Assim, a esquerda recuou.

O sr. acha que o problema da esquerda está em parte no fim da classe trabalhadora consciente e identificável?
Historicamente falando, isso é verdade. O que ainda é possível é que a classe trabalhadora forme o esqueleto de movimentos mais amplos de transformação social.
Um bom exemplo é o Brasil, que tem um caso clássico de partido trabalhista nos moldes do fim do século 19 -baseado numa aliança de sindicatos, trabalhadores, pobres em geral, intelectuais e tipos diversos de esquerda- que gerou uma coalizão governista notável. E não se pode dizer que não seja bem-sucedida, após oito anos de governo e um presidente em final de mandato [a entrevista foi feita no final de 2010] com 80% de aprovação.
Ideologicamente, hoje me sinto mais em casa na América Latina. É o único lugar no mundo em que as pessoas fazem política e falam dela na velha linguagem -a dos séculos 19 e 20, de socialismo, comunismo e marxismo.

O título de seu novo livro é "How to Change the World". No final, o sr. escreve: "A substituição do capitalismo ainda me parece possível". A esperança continua forte?
Não existe esperança reduzida hoje. O que digo agora é que os problemas do século 21 exigem soluções com as quais nem o mercado puro nem a democracia liberal pura conseguem lidar adequadamente. É preciso calcular uma combinação diferente.
Que nome será dado a isso não sei. Mas é bem capaz de não ser mais capitalismo, não no sentido em que o conhecemos aqui e nos EUA.